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As varizes pélvicas são o inimigo número um das mulheres, pois costumam provocar cólicas menstruais intensas e desconforto durante ou após a relação sexual, por exemplo. Foto: freepic.diller

Varizes pélvicas: um pouco sobre suas causas e complicações

As varizes pélvicas podem causar dores menstruais intensas, além de tornar visíveis as veias de algumas regiões do baixo ventre

Por Dr. Gustavo Solano M.D.*

Varizes não são um problema exclusivo dos membros inferiores. Elas podem surgir em diferentes partes do corpo, inclusive na região inferior do abdome, baixo ventre ou pelve. Nesse caso, as varizes pélvicas são o inimigo número um das mulheres, pois costumam provocar cólicas menstruais intensas e desconforto durante ou após a relação sexual, por exemplo. E se não tratadas corretamente, as varizes pélvicas podem interferir no funcionamento das veias das pernas – estendendo ainda mais o problema.

De forma simplificada, as varizes pélvicas são caracterizadas por veias dilatadas e tortuosas próximas ao útero, ovários e trompas. Esses vasos defeituosos dificultam a circulação ideal do sangue na região onde se encontram esses órgãos.

Uma das principais causas das varizes pélvicas é a genética. Nas pacientes com predisposição, acontece o enfraquecimento das veias do baixo ventre: ilíacas internas, gonadais e ovarianas. Claro, também existem outros fatores associados que permitem o surgimento das varizes pélvicas, por exemplo, as Síndromes Compressivas Venosas: Síndrome de Cockett – May Thurner e a Síndrome de Nutcracker. 

  • Síndrome de Cockett-May Thurner: esse problema é caracterizado pela compressão da ilíaca comum esquerda pela artéria ilíaca comum direita. O fluxo sanguíneo é comprometido por conta dessa compressão, causando as varizes pélvicas;
  • Síndrome de Nutcracker: também conhecida por Síndrome de Quebra-nozes, o sistema vascular na região pélvica é prejudicado pela compressão da veia renal esquerda entre a artéria mesentérica superior e a aorta abdominal.  

Gestação e hormônios

Mulheres em gestação também podem ter chances de desenvolver as varizes pélvicas, com maiores possibilidades para aquelas que já tiveram duas ou mais gestações. Variações hormonais constituem outro fator que pode acarretar o surgimento das varizes pélvicas. 

É por isso que a avaliação do cirurgião vascular se faz necessária tão logo apareçam os sintomas, que podem ser:

  • Dores intensas nas regiões abdominal e pélvica;
  • Desconforto durante ou após o contato íntimo;
  • Varizes visíveis na vagina, vulva e glúteos;
  • Fluxo menstrual abundante;
  • Incontinência urinária;
  • Sensação de peso na região íntima.

Tratamento

Como dito anteriormente, cuidar das varizes pélvicas exige uma avaliação minuciosa do cirurgião vascular. Antes, porém, é recomendado que a paciente consulte um ginecologista, pois os sintomas podem indicar outras doenças, até mesmo aquelas não relacionadas diretamente com a saúde vascular. 

Quando o cirurgião assume o planejamento do tratamento, os procedimentos iniciais incluem a medicação para alívio dos sintomas e o estudo sobre o grau de complexidade das varizes pélvicas. 

Também pode ser indicada uma intervenção endovascular, com embolização. Aqui, as varizes pélvicas são tratadas por uma punção realizada na perna, braço ou pescoço. O procedimento é minimamente invasivo, dura poucas horas e na maioria das vezes a paciente recebe alta no mesmo dia. Os sintomas melhoram já nas primeiras semanas. 

É essencial que a paciente mantenha as consultas regulares com o médico e assim diagnosticar o quanto antes as varizes pélvicas e outras enfermidades no sistema vascular.

*Gustavo Solano é cirurgião vascular, endovascular e vice-diretor da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular do Rio de Janeiro.