segunda-feira, 25 de maio de 2020

Síndrome de Veia Cava Superior

TRATAMENTO CONVENCIONAL E ENDOVASCULAR PARA PATOLOGIAS ASSOCIADAS: SÍNDROME DE VEIA CAVA SUPERIOR E ANEURISMA AORTO-ILÍACO – CONTROLE APÓS 12 MESES.

  Apresentado na 488ª Reunião Científica da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular – Rio de Janeiro, no X Panamerican Congress on Vascular and Endovascular Surgery and I Panamerican Endo-Live Meeting, publicado na Revista da SBACV – Edição Número V – Páginas 13-15, apresentado no XXIII Encontro de Angiologia e Cirurgia Vascular do  Rio de Janeiro e no XXXVIII Congresso Brasileiro de Angiologia e Cirurgia Vascular – Maceió – AL. Prêmio de 2° melhor trabalho no X Encontro de Angiologia e de Cirurgia Vascular do Cone Sul – Florianópolis – SC. Publicado no Jornal Vascular Brasileiro no Volume 10 – Number 03

  Clique aqui para ler o artigo na página do Jornal Vascular Brasileiro.


Paciente masculino, de 56 anos, procurou Serviço de Clínica Médica do Hospital Universitário Antônio Pedro queixando-se de falta de ar e vermelhidão no rosto. Após episódio de bradicardia e síncope há 10 anos, recebeu implante de um marcapasso definitivo e há dois anos, por migração infra-mamária deste, foi realizada troca do gerador. Após seis meses deste evento iniciou quadro de opressão torácica intermitente, dispnéia, edema e pletora facial, referindo aumento progressivo da intensidade e freqüência. Ao exame físico observava-se dispnéia em repouso, edema cervical, torácico e de membros superiores, intensa pletora facial e uma massa abdominal pulsátil em hipogástrio com extensão à região inguinal esquerda.

Exames laboratoriais se mostraram sem alterações e a radiografia de tórax indicava apenas alargamento do mediastino. A ultrassonografia de tireóide foi normal, a coronariografia também não evidenciou lesões e à endoscopia digestiva alta observavam-se varizes esofagianas em terço superior. Realizado ecocardiograma transesofágico que mostrava imagem sugestiva de trombo peri-catéter do marcapasso. A tomografia computadorizada de tórax não evidenciou adenopatia peri-hilar ou massa mediastinal ou pulmonar. Observava-se a presença de fibrose em veia cava superior, justa-atrial. A TC de abdome e pelve mostrou a presença de aneurisma de aorta em terço distal com três cm de diâmetro e aneurisma bilateral de artéria ilíaca, que media dois cm à direita e seis cm à esquerda.

Realizada então uma flebografia do paciente, onde se evidenciou fluxo lentificado no tronco braquiocefálico esquerdo, inversão do fluxo da veia ázigos e grave estenose da veia cava superior em sua porção justa-cardíaca, imagens compatíveis com síndrome de veia cava superior tipo III.

Optou-se pela cura do aneurisma com implante de endoprótese Zenith aorto-monoilíaca esquerda com embolização da artéria ilíaca interna esquerda e ponte fêmoro-femoral cruzada com PTFE. O paciente evoluiu sem intercorrências clínicas e com pulsos distais amplos bilateralmente. Recebeu alta hospitalar em dois dias, sendo programada reinternação em duas semanas.

No segundo tempo, a abordagem cirúrgica foi a realização de ponte do tronco braquiocefálico venoso esquerdo ao átrio direito com enxerto de veia safena interna espiralada. O paciente evoluiu com deiscência da sutura esternal após sete dias, quando foi levado à nova intervenção cirúrgica. Foi mantida anticoagulação oral, com o paciente recebendo alta do CTI após 14 dias, a contar do primeiro procedimento, quando já se observava regressão completa dos sinais e sintomas.

Desde a alta hospitalar o paciente encontra-se em acompanhamento ambulatorial, com regressão dos sintomas e sem queixas de nenhuma espécie, executando normalmente suas atividades diárias. Realizada angiotomografia de controle após 12 meses, evidenciando patência do enxerto torácico e regressão do aneurisma de artéria ilíaca esquerda. Pudemos ainda observar aneurismas de artérias carótida esquerda, vertebral direita e tronco celíaco – condutas a serem avaliadas e discutidas. São necessários ainda maiores estudos e maior tempo de seguimento desses pacientes, porém pode-se concluir que a associação da técnica endovascular e a convencional na abordagem de determinadas patologias pode trazer grandes benefícios ao paciente.


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